quinta-feira, 12 de junho de 2014

- A TEMPO DE FORA DE TEMPO


...o tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem...”
Quantos de nós já não quis voltar o tempo ou no tempo para ter oportunidade de desfazer ou refazer algo. Mas está fora do nosso alcance; somos “escravos” do tempo, temos a vida atrelada ao relógio e estaremos sempre ligados à um passado irreversível, a um presente quase sempre consequência desse passado e a um futuro pelo menos duvidoso!

II Tm. 4: 2 a 5 - "... prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério."
O tempo é uma variável que decorre de movimento, portanto, o homem não pode controlá-lo. Há basicamente três categorias de tempo: o tempo cronológico, o tempo como um momento exato de um evento, e o tempo psicológico. Como substantivo masculino é a duração relativa das coisas que cria no homem a noção de passado, presente e futuro, sendo, portanto, um período contínuo no qual os fatos se sucedem. O homem está relativizado ao tempo nesta dimensão da sua existência, e disto, não tem controle, ou como escapar. Deus, contrariamente, não está relativizado ao tempo, tendo perfeito controle sobre ele.

O apóstolo Paulo está instruindo o seu discípulo na fé, Timóteo, acerca dos princípios e práticas do ministério. É dito a Timóteo, primeiramente, que ele pregue a palavra, sendo esta a tarefa precípua de um evangelista. Há muitos pregadores que estão substituindo o anúncio do evangelho pelos manuais de autoajuda, por programação neurolinguística, por sessões de regressão hipnótica, por sessões de espiritismo, por superstições e misticismos, por ocultismo, por engodo de prosperidade, curas, sinais, e maravilhas e sincretismos. Estas coisas não servem para conduzir o homem à Cristo. No máximo, levam incrédulos para dentro das igrejas, e neste caso, elas se tornam cada vez mais agências do inferno. A cada dia as igrejas institucionais mais se assemelham a empresas, agremiações, sociedades limitadas, bancos, supermercados, e escolas de fazer desajustados. Isto porque, o indivíduo, que, ouvindo as Escrituras, e, não podendo crer que nasceu de Deus, entra em profundo conflito de consciência. Não é a toa que pesquisas indicaram que 80% dos que buscam ajuda psiquiátrica são crentes. Viver em contradição é muito perigoso!

Por todas estas razões é que o evangelista deve pregar apenas a Palavra de Deus, e não a sua palavra, a sua tese, o seu ponto de vista sobre Deus, Cristo, a vida e a eternidade. Doutrinas não salvam, mas quando oriundas da Palavra, são para os que já são salvos. Há, na verdade, uma inversão do processo pelos religiosos: doutrinam incrédulos, e evangelizam os crentes. Os pregadores estão mais preocupados em trazer conforto material aos seus ouvintes; porém, o que lhes causa desconforto é exatamente a incredulidade, a saber, o pecado. Primeiro é necessário pregar-lhes a palavra da verdade, para que creiam e tenham as escamas dos olhos retiradas e sejam convertidos. Depois deve-se instar a tempo e fora de tempo para o seu progresso espiritual.

Na sequência, o apóstolo Paulo ordena a Timóteo que "insta a tempo e fora de tempo". Instar é um verbo que possui regência múltipla, portanto, pode ser: pedir com instância, com insistência; solicitar reiteradamente; insistir. Estas significações não se referem à pregação do evangelho, mas ao ensino doutrinário aos que já creem. É necessário o amadurecimento no conhecimento de Deus após o novo nascimento. É imperioso que haja muita insistência, porque o ranço das práticas e dos hábitos pecaminosos são fortemente arraigados na natureza humana. São nestas circunstâncias que penetram na Igreja os lobos, os mercenários os falsos profetas cujas práticas confundem e desviam do caminho de Cristo a muitos. É necessário admoestar, repreender, e exortar, porém com longanimidade e ensino. A ausência destes processos não permite aos evangelizados amadurecer e ganhar a revelação da vida de Cristo. O resultado desta falha é trágico para as Igrejas, pois se tornam verdadeiras sucursais do gnosticismo, do ateísmo, do misticismo e da incredulidade.

Por estas falhas no ministério é que já estamos no tempo em que os próprios crentes não suportam a sã doutrina, e acabam por tê-la por herética, e tomam a mentira por verdade, e a verdade por mentira. Desejam ouvir apenas o que lhes agrada e, para tanto, procuram contratar pregadores que lhes sejam aceitáveis, que possuam títulos, fama, sucesso material e inteligência emocional. O resultado disto tudo é o desvio da verdade: Cristo. Voltam às fábulas, ou seja, às lendas e experiências sobrenaturais como forma de sublimar suas mentes cauterizadas pelo príncipe deste mundo, o qual lhes cega o entendimento. Neste sentido se tornam mais incrédulos do que os incrédulos que não estão em suas igrejas. Inventam doutrinas e teologias para encobrir a ausência de Cristo, tornando-se cada vez mais cínicos espiritualmente.

Então, a primeira sentença é: "prega a palavra", porque é desta atitude que se manifestam os eleitos de Deus. Uma vez tocados pela graça por meio da fé, deve-se instar em todas as ocasiões para que cresçam no conhecimento de Cristo, e manifestem a Sua vida, levando o Seu morrer diário. A cruz não é apenas um símbolo, é um caminho a ser trilhado ao longo do deserto da vida até que seja dia perfeito e o eleito de Deus seja, não só à imagem, mas também à semelhança do Filho de Deus.




Um abraço no seu coração
Fique na Graça e na Paz do Senhor Jesus
Pr William Thompson

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