sexta-feira, 9 de setembro de 2016

- A SOBERANIA DE DEUS E A TEORIA DO ACASO

" Os que afirmam que uma fatalidade cega produziu todos os efeitos que vemos no mundo, disseram um grande absurdo; pois, poderia existir absurdo maior do que uma fatalidade cega ter produzido seres inteligentes?"
Montesquieu - Filósofo francês que viveu no século XVII

              
Pergunto-me se Fernando Pessoa (a frase que titula esse estudo é de sua autoria) tinha alguma noção da grande verdade teológica expressada em sua poesia. Defendia o poeta que as realidades, antes de o serem, são quereres de Deus. Esses desígnios são passados aos homens que, se dispostos a lutar por Deus, tornar-se-ão instrumentos em Sua obra. Mas do cronograma poético de Pessoa, quero deter-me apenas sobre a primeira fase, o querer de Deus.

Deus quer. E Ele pode querer. Deus não é um ser cosmicamente mimado. O criador não age como mal-educado, criança, para quem tal a impossibilidade, maior o destempero. Deus tem em suas mãos todo o poder: 

"Porque dEle, e por Ele , e para ele são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém!" (Rm 11.36); 
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13).

De forma geral, é possível conhecer bem os planos de Deus para a Igreja. Dispomos da Palavra para isso. A Bíblia ensina sobre como proceder em todas as ocasiões; não há evento que não seja previsto ou aludido nas Sagradas Escrituras. Analisando a Bíblia, nós, Igreja que somos, saberemos nos portar. Mas, o que, infelizmente, nem sempre conseguimos fazer é conciliar os quereres de Deus aos âmbitos mais pessoais de nossa existência. É fácil descobrir oque Deus deseja de nós como igreja; mas como conciliar as aparições pessoais com a vontade soberana de Deus? Haveria lugar para elas e os planos íntimos na dinâmica do Reino?
Recorro ao personagem que entrou para o imaginário cristã como sonhador: não parece que os sonhos e gostos pessoais de José foram respeitados por Deus, pois, mais rápido do que percebesse, viu-se privado de todas as benesses que o futuro lhe reservava. Quantas belas túnicas ele não poderia colecionar durante o tempo em que foi escravo e presidiário?
Chegamos aqui a uma bifurcação menos em nosso estudo e mais em nossa caminhada de fé: ou assumimos que a soberania de Deus não fere nosso arbítrio, ou cedemos a uma teoria mais simples que dispensa o exercício da fé, a casualidade.
Quando pequeno, aprendi na escola Dominical um hino infantil que dizia: "Menininho, como vai? Você vale muito mais do que as aves, do que a flor. Deus lhe tem amor". Ora, quando eu era menino, aprendi que minha vida estava nas mãos de Deus e isso aquecia meu infantil coração.
Descobrir-se guardado por Deus é reconfortante, mas isso foi nos idos tempo de menino, pois logo que vim a ser grande disseram que eu poderia ser fruto do acaso. Que, por acaso, nasci; por acaso respiro; se por acaso viver, por acaso é que continuo vivo. Deus não tem nada a ver com isso. É passar de projeto divino a erro de cálculo! Que fazer?

O conceito de acaso remonta à filosofia clássica. Os intermináveis diálogos filosóficos cuidavam ser o acaso apenas o que o acaso poderia ser, aleatoriedade, casualidade. Isso e nada mais. Porém, o conceito de acaso evoluiu na mesma proporção em que cresceram as aspirações à deidade do homem: ansiando ser o deus de sua própria vida. O ser humano criou para si um autoculto em que o acaso é reverenciado como força que pode detê-lo ou impulsiona-lo. Desta forma, o acaso emerge das sombras matemáticas para ganhar forças espiritual. Neste momento, o trono de Deus é usurpado pela filosofia pós-moderna, que tem suas raízes na queda de Lúcifer: não sendo possível roubar o lugar de Deus, Satanás tenta esconde-lo, tenta impedir que os homens enxerguem o Criador, dando-lhes o "bezerro" do acaso, banhado no dourado fajuto da pseudoliberdade.

O acaso filosófico nada tem a ver com a matemática. Este último é apenas uma possibilidade, como as combinações que se pode ter ao lançar os dados. Já o acaso filosófico recebe atributos de entidade divina e vai de acaso a poder causal. Não satisfeito com a boa, perfeita, e agradável vontade do Senhor, o homem, ilidido por Satanás, criou para si um deus que em verdade é o mais perfeito sinônimo para o nada. O teólogo americano Robert Charles Sproul declarou: "O acaso não é uma entidade. E não entidades não tem poder porque não existem. Dizer que algo acontece ou é provocado pelo o acaso é atribuir poder instrumental ao nada".

O pensamento moderno acha-se influenciado pelo minimalismo. Todo o campo das ideias está dominado por este movimento que tem como objetivo maior não provar que Deus não existe, mas provar que Ele não é tão poderoso como afirmam as Escrituras.

O acaso e sua falsa liberdade provocam no homem um senso de não realização e total incapacidade. Não importa o quanto se esforce o homem; não importam os seus sonhos e dons; importa o que o acaso resolveu para ele. Diante desta última afirmação, alguém poderia apelar dizendo que o acaso guardou para si o mesmo direito que o Senhor Deus detém: o poder para fazer, já que, diz a Escritura, que ninguém pode intentar contra o braço forte do Senhor. Assim, Deus estaria sendo tão cruel quanto o acaso que os seus servos condenam.

Entretanto, existisse no acaso a propriedade de realizar, certo seria que suas efetivações constituir-se-iam em verdadeiro desastre para os homens. A diferença entre o Deus a quem servimos e o acaso naturalista é que o Senhor é soberano, e não um tirano. Sua vontade faz-se cumprir por Seu poder inquestionável e perfeito. Uma soberania que não é negociada com os homens, pois é exercida para o bem deles.

Um abraço no seu coração
Fique na Graça e na Paz do Senhor Jesus
Pr William Thompson


Fonte Prof. Gunar Berg
Coordenador Acadêmico da FAETAD
Articulista e autor pela EETAD e FAETAD e CPAD


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