segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

- DISCÍPULOS OU CONSUMIDORES? O OUTRO LADO DA HERANÇA DE CHARLES G. FINNEY.


Por Augustus Nicodemus Lopes

A palavra "evangélicos" tem se tornado tão inclusiva que ocorre o perigo, de se tornar totalmente vazia de significado. Robert Charles Sproul.

Em certa ocasião o Senhor Jesus teve de fazer uma escolha entre ter cinco mil pessoas que o seguiam por causa dos benefícios que poderiam obter dele, ou ter doze seguidores leais, que o seguiam pelo motivo certo. Uma decisão entre muitos consumidores e poucos fiéis discípulos. Refiro-me à multiplicação dos pães narrada em João, 6. Lemos que a multidão, extasiada com o milagre, quis proclamar Jesus como rei, mas Ele recusou-se (João 6:15). No dia seguinte, Jesus também se recusa a fazer mais milagres diante da multidão pois percebe que o estão seguindo por causa dos pães que comeram (João 6:26, 30). Sua palavra acerca do pão da vida afugenta quase todos da multidão (João 6:60, 66), à exceção dos doze discípulos, que afirmam segui-lo por saber que Ele é o Salvador, o que tem as palavras de vida eterna (João 6:67-69).
Jesus poderia ter satisfeito as necessidades da multidão e saciado o desejo dela de ter mais milagres, sinais e pão. Teria sido feito rei e teria o povo ao seu lado. Mas o Senhor preferiu ter um punhado de pessoas que o seguiam pelos motivos certos a ter uma vasta multidão que o fazia por motivos errados. Preferiu discípulos a consumidores.

Síndrome da porta giratória
Infelizmente, parece prevalecer entre os evangélicos em nossos dias uma mentalidade bem semelhante à multidão nos dias de Jesus. Muitos, influenciados pela febre de consumir (inclusive coisas supérfluas), que vem crescendo nas sociedades capitalistas, tem assumido uma postura de consumidores quando se trata das coisas do Reino de Deus. O consumismo encontrou a porta da igreja evangélica. Tem entrado com toda a força, e parece ter vindo para ficar.
Por consumismo quero dizer o impulso de satisfazer as necessidades, reais ou não, pelo uso de bens ou serviços prestados pro outrem. No consumismo, as necessidades individuais são o centro; e a "escolha" das pessoas, o mais respeitado de seus direitos. Tudo gira em torno do indivíduo, e tudo existe para satisfazer as suas necessidades. As coisas ganham importância, validade e relevância à medida em que são capazes de atender estas necessidades.
Esta mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas, a forma e o conteúdo das pregações, a escolha das músicas , o tipo de liturgia, e as estratégias para crescimento de comunidades locais. Tudo é feito com o objetivo de satisfazer as necessidades emocionais, físicas e materiais das pessoas. E, neste afã, prevalece o fim sobre os meios. Métodos são justificados à medida em que se prestam para atrair mais frequentadores, e torná-los mais felizes, mais alegres, mais satisfeitos, e dispostos a continuar frequentando igrejas. Numa pesquisa recente feita pelo Instituto Gallup nos Estados Unidos, constatou-se que quatro a cada dez americanos estão envolvidos em pequenos grupos que se reúnem semanalmente, buscando saída para o envolvimento com drogas, problemas familiares, solidão e isolacionismo. Embora evidente muitos estarão em busca de uma oportunidade para aprofundar a experiência cristã e crescer no conhecimento de Deus, a maioria, segundo o Gallup, busca satisfazer suas necessidades pessoais. De acordo com a revista Newsweek, um em cada cinco americanos sofre de alguma forma de doença mental (incluindo ansiedade, depressão clínica, esquizofrenia etc) durante o curso de um ano. Discordo que todas estas coisas sejam problemas mentais; muita coisa tem a ver com os efeitos do pecado na consciência. De qualquer forma, os espertos se aproveitam de estatísticas assim. Uma denúncia contra a indústria evangélica de saúde mental foi feita no ano passado por Steve Rabey em Christianity Today. Cada vez mais cresce o Marketing nas igrejas na área de aconselhamento, com um número alarmante de profissionais cristãos oferecendo ajuda psicológica através de métodos seculares. 
A indústria de música cristã tem crescido assustadoramente, abandonando por vez seu propósito inicial de difundir o Evangelho e tornando-se cada vez mais um mercado rentável como outro qualquer. A maioria das gravadoras evangélicas nos Estados Unidos pertence a corporações seculares de entretenimento. As estrelas do gospel music cobram caches altíssimos para suas apresentações. Num recente artigo em Strategies for Today's Leader. Gary McIntosh defende abertamente que "o negócio das igrejas é servir ao povo". Ele defende que a igreja deve ter uma mentalidade voltada para o "cliente", e traçar seus planos e estratégias visando suas necessidades básicas, e especialmente fazê-los sentir-se bem. Um efeito da mentalidade consumista das igrejas é o que tem sido chamado de "a síndrome da porta giratória". As igrejas estão repletas de pessoas buscando sentido para a vida, alívio para suas ansiedades e preocupações, ou simplesmente diversão e entretenimento evangélicos; muitas delas estão simplesmente passeando pelas igrejas, como quem passeia pelas lojas de um shopping center, escolhendo produtos que lhe agradam. Assim, elas escolhem igrejas como escolhem refrigerantes. Tão logo a igreja que frequentam deixa de satisfazer as suas necessidades, elas saem pela porta tão, facilmente quanto entraram. As pessoas escolhem igrejas onde se sintam confortáveis, e se esquecem de que precisam na verdade de uma igreja que as faça crescer em Cristo e no amor para com os outros.

Finney e a mentalidade consumista!

Ao meu ver, um dos mais decisivos fatores para o surgimento da mentalidade consumista na igreja evangélica é a influência da teologia e dos métodos de Charles G. Finney. Houve uma profunda mudança no conceito de evangelização ocorrida no século passado, devido ao trabalho de Charles Finney. Mais do que a teologia do próprio Karl Barth, a teologia e os métodos de Finney tem, moldado o moderno evangelicalismo. Ele é o herói de Bill Bright e de Billy Graham; é o celebrado campeão de Keith Green, do "movimento de sinais e prodígios", do movimento neopentecostal e do movimento de crescimento da igreja. Para muitos no Brasil seria uma surpresa tomar conhecimento do pensamento teológico de Finney. Ele é tido como um dos grandes evangelistas da Igreja cristã, estimado e venerado como modelo de fé e vida. E não poderia ser diferente, visto que se tem publicado no Brasil apenas obras que exaltam Finney, sem qualquer crítica à sua teologia e à sua metodologia. Meu alvo, neste artigo, não é escrever extensamente sobre o assunto, mas mostrar a relação de causa e efeito que existe entre o ensino e métodos de Finney e a mentalidade consumista dos evangélicos hoje.
Em sua obra de teologia sistemática (Systematic Teology [Bethany, 1976]), escrita no final de seu ministério, quando era professor do seminário de Oberlin, Finney abraça ensinos estranhos aos Cristianismo histórico. Ele ensina que a perfeição moral é condição para justificação, e que ninguém poderá ser justificado de seus pecados enquanto tiver pecado em si (pág. 57); afirma que o verdadeiro cristão perde sua justificação (e consequentemente, a salvação) toda vez que peca (pág. 46); demonstra que não acredita em pecado original e nem na depravação inerente ao ser humano (pág. 1798); afirma que o homem é perfeitamente capaz de aceitar por si mesmo, sem a ajuda do Espírito Santo, a oferta do Evangelho. Mais surpreendente ainda, Finney nega que Cristo morreu para pagar os pecados de alguém; ele havia morrido com um propósito, o de reafirmar o governo moral de Deus, e nos dar o exemplo de como agradar a Deus (pp. 206-217). Finney nega ainda, de forma veemente, a imputação dos méritos de Cristo ao pecador, e rejeita a ideia da justificação com base na obra de Cristo em lugar dos pecadores (pp. 320-333). Quanto à aplicação da redenção, Finney nega a ideia de que o novo nascimento é um milagre operado sobrenaturalmente por Deus na alma humana. Para ele, "regeneração consiste em o pecador mudar sua escolha última, sua intenção e suas preferências; ou ainda, mudar do egoísmo para o amor e a benevolência", e tudo isto motivo pela influência ,oral do exemplo de Cristo ao morrer na cruz (pág. 224).
Finney, reagindo contra a influência calvinista que predominava no Grande Avivamento ocorrido na Nova Inglaterra do século passado, trocou a ênfase que à pregação doutrinária pela ênfase em fazer com que as pessoas "tomassem uma decisão", ou que fizessem uma escolha. No prefácio da sua Systematic Theology, ele declara a base da sua metodologia: "Um reavivamento não é um milagre ou não depende de um milagre, em qualquer sentido. É meramente o resultado filosófico da aplicação correta dos métodos." Finney não estava descobrindo uma nova verdade, mas abraçando um erro antigo, defendido por Pelágio no Século IV, que foi condenado como herético pela Igreja. Ele tem sido corretamente descrito por estudiosos evangélicos como sendo semi-pelagianismo (ou mesmo, pelagianismo) em sua doutrina, e um dos maiores responsáveis pela disseminação deste erro antigo entre as igrejas modernas. Na teologia de Finney, Deus não é soberano, o homem não é um pecador por natureza, a expiação de Cristo não é um pagamento válido pelo pecado, a doutrina da justificação pela imputação é insultante à razão e à moralidade, o novo nascimento é produzido simplesmente por técnicas bem sucedidas, e o avivamento é resultado de campanhas bem planejadas com os métodos conceitos.
Antes de Finney, os evangelistas reformados aguardavam sinais ou evidências da operação do Espírito Santo nos pecadores, trazendo-os debaixo de convicção de pecado, para então guiá-los a Cristo. Não colocavam pressão sobre a vontade dos pecadores por meios psicológicos, com receio de produzir falsas conversões. Finney, porém, seguiu caminho oposto, e seu caminho prevaleceu. Já que acreditava na capacidade inerente da vontade humana de tomar decisões espirituais quando o desejasse, suas campanhas de evangelismo e de reavivamento passaram a girar em torno de um simples propósito: levar os pecadores a fazer uma escolha imediata de seguir a Cristo. Com isso, introduziu novos métodos nos seus cultos, como o "banco dos ansiosos" (de onde veio a prática moderna de se fazer apelos por uma decisão imediata ao final da mensagem), o uso de quaisquer medidas que provocassem um estado emocional propício aos pecador para escolher a Deus, o que incluía apelos emocionais e denúncias terríveis de pecado e juízo. O impacto dos métodos reavivalistas de Finney no evangelicalismo moderno são tremendos. Seus sucessores têm perpetuado esses métodos e mantido as características do fundador: o apelo por decisões imediatas, baseadas na vontade humana; o estímulo das emoções como alvo do culto; o desprezo pela doutrina; a ênfase que se dá na pregação a se fazer uma escolha, em vez da ênfase às grandes doutrinas da graça. As igrejas evangélicas de hoje, influenciadas pela teologia e pelos métodos de Finney, têm adotado táticas e práticas em que as pessoas são vistas como clientes, promovendo a mentalidade consumista.
O Senhor Jesus preferiu doze seguidores genuínos a uma multidão de consumidores. É preciso reconhecer que as tendências modernas em alguns quartéis evangélicos é a de produzir consumidores, muito mais que reais discípulos de Cristo, pela forma de culto, liturgias, atrações, e eventos que promovem. Um retorno às antigas doutrinas da graça, pregadas pelos apóstolos e pelos reformadores, enfatizando a busca da glória de Deus como alvo maior do homem, poderá melhorar esse estado de coisas.


Um abraço no seu coração
Fique na Graça e na Paz do Senhor Jesus
Pr William Thompson

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

- O ANEL DO PROFESSOR


O aluno diante do professor:

- Professor, eu me sinto um inútil. Não tenho força alguma. Dizem-me que não sirvo para nada… que sou lerdo… um completo idiota. Ajude-me, por favor.

O professor, sem olhá-lo, disse-lhe: – Sinto muito, meu jovem. Você me pegou num dia ruim. Estou tentando resolver um sério problema. Volte outra hora, por favor.

Quando o jovem já ia saindo, o professor lhe propôs: – Bem, se você me ajudasse, eu poderia resolver o meu problema mais rápido, daí a gente poderia conversar…

- C… Claro, professor, gaguejou o jovem, bastante inseguro.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e disse ao garoto: – Monte meu cavalo e vá até o mercado vender este anel. Preciso pagar uma dívida, mas, por favor, não o venda por menos que uma moeda de ouro. Vá correndo e volte o mais rápido que puder.

Mal chegou ao mercado, o jovem começou a oferecê-lo a todos que encontrava. Eles olhavam com algum interesse, mas, quando o jovem dizia quanto pretendia pelo anel, eles riam, volviam-lhe as costas, ignoravam-no. Somente um velhinho, vendo o sofrimento do rapaz, foi simpático com ele, e lhe explicou que uma moeda de ouro era muito dinheiro por aquele anel.

Um outro, tentando ajudar, chegou a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem, seguindo as orientações do seu professor, recusou a oferta.

Abatido pelo fracasso, montou novamente o cavalo e, muito triste, voltou para a casa do professor. Chegou mesmo a desejar ter uma moeda de ouro e comprar aquele anel, mesmo que não valesse tanto, somente para ajudar seu mestre.

Ao entrar na casa, relatou: – Professor, sinto muito, não consegui vender o anel. É impossível conseguir o que o senhor está pedindo por ele. Talvez eu possa conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas, não mais que isso. Não podemos enganar ninguém sobre o valor deste anel.

- Você tem razão, meu amigo. Antes de tentar vender o anel, deveríamos, primeiro, saber seu real valor. Não queremos enganar ninguém, nem ser enganado, não é mesmo? Por favor, faça-me mais uma coisa: Monte novamente o cavalo e vá até o joalheiro; quem melhor do que ele para saber o valor deste anel? Diga-lhe que eu quero vendê-lo e pergunte quanto ele pode ofertar, mas, atenção meu amigo, não importa o quanto ele ofereça, não venda o anel ao joalheiro.
Apenas pergunte o valor do anel e o traga de volta.

Ainda tentando ajudar seu professor, o jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro, então, lhe disse: – Diga ao professor que, se ele tem pressa em vender o anel, não posso lhe dar mais do que 8 moedas de ouro…

- Oito????? Perguntou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro, posso chegar a lhe oferecer até 10 moedas, mas, só se ele não tiver pressa.

O jovem, emocionado, correu até a casa do professor e contou-lhe tudo. – 8 moedas de ouro, uau! – exclamou o professor, e rindo, zombou: – Aqueles homens no mercado deixaram de fazer um bom negócio, não é mesmo? – Sim, professor, concordou o menino, todo empolgado.

- Então, professor, perguntou o menino, o senhor vai vender o anel por 8 ou por 10 moedas? – Não vou vendê-lo, respondeu ele, fiz isso apenas para que você entenda uma coisa:

- Você, meu jovem, é como esse anel: uma jóia valiosa e única. Mas, somente pessoas sábias podem avaliar seu real valor. Ou você pensava que qualquer um poderia avaliá-lo corretamente? Não! Não importa o que digam de você, o que importa é o seu real valor.

E, dizendo isso, colocou seu anel de volta no dedo.

- Todos nós somos como esta jóia: únicos e valiosos. Infelizmente, passamos a vida andando por todos os mercados da vida, barateando nosso próprio valor, pretendendo que pessoas mal preparadas nos valorizem. Ninguém deveria ter a força de nos fazer sentir inferior, sem o nosso consentimento. Cada um de nós é especial, pois foi Deus quem nos fez.

“Não se julguem melhores do que realmente são. Ao contrário, sejam modestos nos seus pensamentos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu”. Romanos 12.3


Fonte: Livro Autoestima, de Miguel Angel Montoya e Carmen Elena Sol, Editorial PAX, México


Um abraço no seu coração
Fique na Graça e na Paz do Senhor Jesus
Pr William Thompson